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Comunidade Terapêutica

História

CENTRO DE RECUPERAÇÃO "DONA GENY JÚLIA FEIJÓ" DESDE 1996

A Comunidade Terapêutica “Dona Geny Julia Feijó” foi implantada em 22 de Junho de 1996 no município de Biguaçu, com 28 hectares  (280.000 m²) de terra, sendo mais um Projeto da CVM, Creche Vinde a Mim as Criancinhas. Destinada a abrigar e recuperar crianças a partir de 12 anos, adolescentes e adultos dependentes químicos de álcool e drogas.

A Comunidade Terapêutica tem capacidade para abrigar 44 internos, exclusivamente do sexo masculino. O período de internação é de nove meses, tempo em que um feto leva para se desenvolver e então vir ao mundo assim também são eles, é o tempo para serem preparados e “nascerem novamente” para uma vida digna e saudável.

O processo de recuperação está focado nos seguintes tópicos: Atividades Educacionais, Atividades Religiosas e Atendimento Psicológico.

Nosso objetivo

O objetivo da Comunidade Terapêutica é resgatar esses internos para uma vida sadia, mas para que isso ocorra é necessário um conjunto de atividades há serem realizadas. Em primeiro lugar é necessário o querer do próprio interno, pois terá uma equipe altamente qualificada para ajudá-lo a superar essa fase, mas nada se pode fazer sozinho.

A Comunidade Terapêutica dispõe de profissionais como Psicóloga, Assistente Social e Pedagoga e são realizadas atividades como:

1.   Oficina de Informática;
2.   Pintura;
3.   Argila;
4.   Música;
5.   Futebol;
6.   Ginástica;
7.   Escolarização;
8.   Panificação;
9.   Consultas com Psicólogo;
10. Estudo da Palavra de Deus, entre outros.

Muitos desses internos encontram-se nessa situação precária, devido principalmente a falta de uma estrutura familiar. Procuram na rua uma forma de se alimentarem ou preencherem o tempo. Sem uma estrutura psicológica para enfrentar os problemas do mundo, se envolvem com as drogas e muitas vezes com o crime.

A partir daí as amizades normalmente serão com pessoas que estão na mesma situação, o que só prejudicará ainda mais.

Equipe Técnica

Gerente executivo Geral: Artur Feijó Neto
Administrador CRA 2456

Gerente Administrativo e Financeiro: Roberto Tadeu Proença
Economia Incompleto

Gerente Técnica:

Gerente Educacional: Geny Julia Feijó Nunes
Pedagoga
Especialização em Orientação, Supervisão e Gestão Escolar

Gerente de Recursos Humanos: Giovana Feijó
Psicóloga CRP 12/05503
Especialização em Neuropsicologia
Especialização em Psicodrama 

Departamento Jurídico

André Eduardo Foppa Souza

Advogado OAB/SC

OBS: Quando a equipe técnica observa a necessidade na triagem e durante o tratamento é solicitado o encaminhamento para consulta médica psiquiátrica. O pagamento é feito por consulta.

Médico

Psiquiatra 

Critérios de Internação

I N T E R N A Ç Ã O   V O L U N T Á R I A

É caracterizada pelo consentimento e disposição do interessado

para se tratar. Apresenta consciência da necessidade de tratar a

dependência química.

Esse tipo de internação tem uma influência evidente

  na recuperação do transtorno, desta forma tranqüiliza o interessado

e a própria família.

I M P O R T A N T E:  Informamos que não recebemos nenhum

indivíduo que realmente não queira o tratamento.

O Atendimento da Comunidade Terapêutica destina-se a residentes com as seguintes características:

a) que queiram livrar-se das drogas;
b) que apresentam condições para convivência no ambiente coletivo;
c) que apresentam motivação e aceitação do trabalho oferecido;
d) que conseguem manter-se em ambiente sem vigilância;
e) que sejam aprovados no processo de triagem;
f) que estejam dispostos a aceitar todas as orientações da Comunidade;
g) Voluntariamente, que não apresente grau de comprometimento biológico ou psíquico grave.

Tanto a admissão como a exclusão dos residentes passa por uma avaliação da Equipe Técnica da Comunidade Terapêutica;

A admissão de residente na Comunidade Terapêutica é aprovada através de uma triagem conforme os seguintes critérios:

a) Avaliação médica por médico psiquiatra (obrigatória, caso não tenha possibilidade de agendar ou não tenha responsável, a responsabilidade fica para o órgão que encaminhou)
b) Avaliação psicológica;
c) Avaliação familiar por assistente social e /ou psicólogo;
d) Realização de exames laboratoriais;
e) Estabelecimento do programa terapêutico individual.

A admissão do residente não impõe condições de crenças religiosas ou ideológicas;

Na admissão os residentes recebem instruções e informações dos seus direitos  e dos deveres contidas no Regimento Interno a serem cumpridos durante o tratamento, explicitando sua aceitação através de um termo de compromisso. São repassadas também as regras de boa conduta para o convívio durante o atendimento;

No momento da admissão as famílias recebem a lista de materiais exigidos pela Comunidade, que são de uso exclusivo e individual de cada residente. A saber:

  1. a) Bota (sele léguas);
    b) Roupa de Cama;
    c) 01 (uma) Enxada ou Rastelo;
    d) Cartão Telefônico (01 cartão por mês);
    e) Material de Higiene Pessoal (pasta de dente, sabonete, shampoo, entre outros);
    f) Material de Limpeza (sabão em pó, desinfetante, sabão em barra, entre outros);
    g) Balde;
    h) Grampo de Roupa;
    i) 01 (uma) Bíblia;
    j) Livros (01 livro no mínimo);
    k) Desodorante Roll-on
    l) Ventilador (opcional);
    m) Aparelho Repelente de Insetos (opcional);
    n) 02 (duas) Toalhas de Banho, 02 (duas) Toalhas de Rosto;
    o) 02 (dois) litros de Sabonete Liquido;
    p) 02 (dois) pacotes de Papel Toalha;
    q) 01 (uma) Vassoura.

Pilares do Tratamento

 

Critério de Elegibilidade

É importante ressaltar que as condições de saúde do individuo e a capacidade de atendimento da instituição são os fatores decisivos para a admissão. A avaliação da situação social e familiar da pessoa também é muito importante. O grau de resistência ao tratamento (adesão) e o grau de resistência à continuidade do tratamento (manutenção) são indicadores importantes para a avaliação do comprometimento psíquico e das chances de sucesso do tratamento. Existem condições para a aceitação do individuo neste projeto, denominados de “critérios de elegibilidade”, que são baseados no grau de comprometimento do indivíduo por causa da dependência.

Para o Ingresso de Programa de Tratamento da Comunidade Terapêutica é necessário:

Que a pessoa queira se tratar e, portanto, deve-se respeitar o critério de voluntariedade e não discriminado por nenhum tipo de doença associada;

Avaliação diagnóstica clinica e psiquiátrica, cujos dados iram constar na Ficha de Admissão.

Existem diferentes dimensões  para a definição do padrão de comprometimento. Sabe-se que a dependência  pode causar efeitos em nível biológico (no organismo da pessoa), psíquico (na mente da pessoa) ou social, familiar e legal (nos laços sociais da pessoa). O comprometimento do usuário abusivo de substâncias psicoativas é o resultado desses vários níveis de comprometimento.

O indivíduo que apresentar grau de comprometimento biológico ou psíquico grave não podem ser aceitadas na comunidade terapêutica devendo procurar outra instituição, pois o comprometimento mais grave requer intervenção de serviços de maior complexidade.

A avaliação da gravidade deve levar em conta as seguintes informações:

Comprometimento biológico;

Comprometimento psicológico;

Situação social, familiar e legal;

Motivação para se tratar;

Grau de consciência sobre o problema com as drogas;

Intoxicação aguda e/ou potencial para apresentar sintomas de abstinência;

Droga de Eleição;

Via de uso;

Sexo;

Idade;

Expectativas sobre o tratamento;

Histórico de outros tratamentos;

Nível de suporte social;

Potencial para lapso/recaída;

As pessoas em avaliação que apresentarem grau de comprometimento grave no âmbito orgânico e/ou psicológico não são elegíveis para tratamento nestes serviços devendo ser encaminhados a outras modalidades de atenção.

Além dos critérios de elegibilidade, os pacientes, devem ter os seus direitos garantidos e respeitados pelas instituições de tratamento.

Procedimentos do serviço de tratamento a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas:

a) No processo de admissão do residente e durante o tratamento, alguns aspectos são contemplados;
b) A admissão da pessoa não deve impor condições de crenças religiosas ou ideológicas;
c) Permanência voluntária;
d) Possibilidade de interromper o tratamento a qualquer momento, resguardadas  as exceções de risco imediato de vida para si e ou para terceiros, ou intoxicação por SPA, avaliadas e documentadas por profissional médico responsável;
e) Compromisso com o sigilo segundo as normas éticas e legais garantindo-se o anonimato, qualquer divulgação de informação a respeito da pessoa, imagem ou outra modalidade de exposição só poderá ocorrer se previamente autorizada por escrito pela pessoa e familiares;
f) Respeito á pessoa, á família e á coletividade;
g) Observância do direito á cidadania do usuário de SPA;
h) Fornecimento ao usuário e seus familiares, e/ou responsável de informações e orientações dos direitos e deveres, quando da opção e adesão ao tratamento proposto; 
i) Informar verbalmente e por escrito ao candidato a tratamento no serviço sobre os regulamentos e normas da instituição, devendo a pessoa a ser admitida declarar, por escrito, sua concordância;
j) Cuidados com o bem estar físico e psíquico da pessoa, proporcionando um ambiente livre de SPA e violência, resguardando o direito do serviço estabelecer as atividades relativas á espiritualidade;
k) Garantia de alimentação nutritiva, cuidados de higiene e alojamentos adequados;
l) Proibição de castigos físicos, psíquicos ou morais, respeitando a dignidade e integridade, independente da etnia, credo religioso e ideologias, nacionalidade, preferência sexual, antecedentes criminais ou situação financeira. Garantia do acompanhamento das recomendações médicas e/ou utilização de medicamentos, sob critérios previamente estabelecidos, acompanhando as devidas prescrição, ficando a cargo do Serviço a responsabilidade quanto á administração, dispensação, controle e guarda dos medicamentos;
m) Garantia do registro, no mínimo três vezes por semana, das avaliações e cuidados dispensados ás pessoas em admissão ou tratamento;
n) Responsabilidade do serviço no encaminhamento á rede de saúde, das pessoas que apresentarem intercorrências clinicas decorrentes ou associadas ao uso ou privação de SPA, como também para os casos em que apresentarem outros agravos á saúde.

Meta de Atendimento

NESTE MOMENTO NOSSA META DE ATENDIMENTO É DE 33 (TRINTA E TRÊS) MORADORES.

Ressaltamos que esta projeção depende de recursos para manter. As metas expostas neste plano de atendimento estão propensas a mudanças (suprimidas ou reduzidas), caso ocorra modificação nas receitas.

Assim a instituição poderá a qualquer tempo reduzir sem qualquer comunicado ou aviso as metas previstas.

 

Resultado

Total de internos que passaram pela Comunidade Terapêutica entre
JANEIRO A DEZEMBRO DE 2009 - 147 INTERNOS

R E S U L T A D O

Até 01 mês

97 residentes

65,99 %

Até 02 meses

16 residentes

10,89 %

Até 03 meses

09 residentes

6,13 %

Entre 03 a 06 meses

17 residentes

11,53 %

Entre 07 a 08 meses

04 residentes

2,73 %

Graduados 09 meses

04 residentes

2,73 %

 

Total de internos entre
JANEIRO A DEZEMBRO DE 2010 – 146 INTERNOS

R E S U L T A D O

Até 01 mês

66 residentes

45,5%

Até 02 meses 

 28 residentes

 19,2%

Até 03 meses

21 residentes

14,4%

Entre 03 a 06 meses

21 residentes

14,4 %

Entre 07 e 08 meses

05 residentes

3,4 %

Graduados 09 meses 

 05 residentes

 3,4%

 

Depoimentos

J.L.Q.V – 43 anos (morador de rua)

Estou a quatro meses na Comunidade Terapêutica, sou natural de Porto Alegre – RS e vim para Santa Catarina em busca de emprego. Acabei perdendo todos os meus documentos, longe da minha família e sem identidade comecei a beber, a cada dia com mais intensidade, comecei também a usar crack, sem rumo, vivia na rua e percorria os caminhos das drogas, os meus colegas de rua sempre me ofereciam pois eu não tinha como comprar.

Logo em seguida fui internado em uma Comunidade Terapêutica, onde fiquei por dez meses. Acreditei que já estava preparado para buscar uma oportunidade de trabalho, mas a decepção foi grande, as portas se fecharam e foi aonde que voltei a beber e consequentemente, fazer uso de drogas (crack). Nesse tempo voltei para Porto Alegre, procurei auxilio da minha mãe, mas ela soube que eu estava fazendo uso de crack e pediu que eu me afastasse de sua casa. Fiquei  muito nervoso e irritado com a atitude de minha mãe, e com mais freqüência continuei a beber e usar drogas.  Mais uma vez sem rumo e sem apoio, vivi nas ruas e acabei como trexeiro até chegar novamente em Santa Catarina. Neste tempo que fiquei andando sem direção, percebi que o mundo havia ficado pequeno pra mim, sem valores, sem oportunidades e sem minha mãe.

Fui encaminhado para a casa de apoio em Barreiros – São José e a equipe me trouxe até a Comunidade Terapêutica “Dona Geny Julia Feijó”. Comecei a entender o valor da minha vida, mudei minhas atitudes e percebi que minha mãe só queria o melhor pra mim, hoje sei da minha responsabilidade . Pretendo completar os nove meses de internação, porque preciso e acredito na minha recuperação.
Quero mostrar principalmente para minha mãe que eu mudei, que eu quero recomeçar e que eu posso.

Deixo minha mensagem a você usuário:
Cabe a você decidir o que fazer com sua própria vida, procure ajuda, e se você tem uma mãe como a minha, vale a pena todo sacrifício e esforço para voltar a ter uma nova vida.

22/06/2010

J.S – 42 anos

Estou há três meses na Comunidade Terapêutica. Aqui é a minha primeira internação. Vim pra cá porque fazia uso de álcool e drogas (maconha, cocaína, crack). Comecei a usar com doze anos, simplesmente por curiosidade. No primeiro momento usava maconha, cigarro e álcool.

Em decorrência do uso destas substâncias, não consegui mais manter os meus empregos, a situação foi ficando cada dia mais difícil e a minha família não agüentou mais. Me separei da minha esposa e  dai por diante, fui usando a cada dia com mais intensidade, assim fui até o fundo do poço. Hoje estou a doze anos separado e só agora percebi que este é o pior caminho de um ser humano. Estou decidido a colocar um ponto final no uso das drogas, mudar completamente a minha vida, mudar minhas atitudes, e ser bem visto pela minha família e pela sociedade, por que força de vontade eu tenho.

Quando eu entrei na Comunidade Terapêutica, pretendia sim ficar os nove meses que são necessários para uma boa recuperação, mas quero completar seis meses e voltar para uma nova vida, voltar ao mercado de trabalho, voltar com força para as pessoas que me amam de verdade e ter uma vida sadia, com mais responsabilidade.

Deixo aqui uma mensagem para os usuários e para quem um dia for experimentar só por curiosidade. Não sigam o caminho que eu percorri, porque na grande maioria é um caminho sem volta, sei que é difícil, mas não impossível. Procure ajuda das pessoas que te amam de verdade, confie em você e tenha sempre muita força de vontade. Faça por você e pela sua família.

22/06/2010